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Hope Solo deixa os jogos do Rio com uma série de más recordações, mas sem culpa na polêmica do Zika

13 AGO 2016
13 de Agosto de 2016

Por Rodney Brocanelli

Hope Solo, 35 anos, certamente não terá boas recordações dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. Primeiramente, ela atraiu a ira de uma nação ao postar uma foto em suas redes sociais com um kit anti-Zika vírus. Muitos acharam que isso foi uma atitude xenófoba. Já dentro da competição, os torcedores brasileiros que foram aos jogos da seleção dos Estados Unidos passaram a provocar a atleta com gritos de “ziiiiiiiika” toda vez que ela repunha a bola em jogo. As provocações da torcida parece que deram resultado de certa forma.  Na partida contra a Colômbia, ela levou um frango, ao não conseguir defender uma cobrança de falta da jogadora Catarina Usme. A bola passou por entre os braços e pernas da norte-americana e ultrapassou a linha do gol. Para fechar, Hope ainda não conseguiu ter um bom aproveitamento nas cobranças de pênaltis na partida de sua seleção contra a Suécia.  Com a derrota nos tiros livres por 4 a 3, os  EUA ficaram de fora da disputa de medalhas no torneio olímpico de futebol feminino.

Feito o resumo, cabe a pergunta: Hope Solo fez realmente algo para menosprezar o país? Se analisarmos a postagem original, ela se mostra de rosto coberto e um repelente na mão com os dizeres “não vou dividir isso aqui, arrume o seu”. Em outra foto, ela mostra o que foi chamado pela imprensa de um arsenal de repelentes. E legendou: “se alguém na Vila esquecer de trazer, venha me procurar”. Nenhuma citação ao país.

Quando chegou por aqui, Hope Solo logo tratou de se desculpar: “Eu não quis ofender ninguém, peço desculpas por isso, mas só quis vir preparada”, disse logo no desembarque.

Se houve o pedido de desculpas, não haveria mais motivos para represálias.  Na verdade, Hope Solo acabou por ser vítima de um processo muito comum no país: a transferência de responsabilidade. O Zika Vírus é um problema de saúde pública nacional e o país (independente do governo que saiu e do que entrou) não consegue lidar com isso. Vale dizer que o Brasil há muito tempo já não sabe o que fazer com o Aedes Aegypti, mosquito que não só transmite a Zika, mas é responsável por disseminar uma outra doença que é velha conhecida dos brasileiros: a Dengue. Hope Solo nada tem a ver com isso.

Talvez o único deslize de Hope Solo nestes jogos foi a série de declarações infelizes que ela deu após a  desclassificação de sua seleção.  Nas  entrevistas,  criticou a postura da seleção sueca que atuou  praticamente os 120 minutos de bola rolando na defesa.  “Elas foram covardes”, acrescentou.  Pia Sundhage, técnica da Suécia,  respondeu, pegando na veia: “Está ok se somos “covardes”, mas vencemos. Hope sabe muito bem o que é um time vencedor. Elas já venceram muito. Desta vez, nós passamos”. Talvez, em todos esses anos de futebol, Hope ainda não sabe que a defesa pode ser um caminho para ser vencedor.  Uma lição que ela leva do Rio de Janeiro.

 

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