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Palmeiras: 100 anos de amor alviverde - A máquina da Parmalat

25 AGO 2014
25 de Agosto de 2014
Por Lucas Rafael Martins

Juntar Palmeiras e Parmalat é o mesmo que mencionar o sucesso no futebol. Uma parceria de oito anos e que rendeu 22 títulos para o Verdão. Mas para falar deste acordo, que foi muito mais que um patrocínio, precisamos explicar como surgiu essa ideia de divulgar uma marca através de um esporte.

Para exemplificar, até 1979 a FIFA proibia qualquer tipo de propaganda nas camisas. O futebol em si, ainda conseguia sobreviver sem acordos de publicidade. Mas a partir dos anos 80, já sem a proibição da entidade máxima do futebol, os clubes iniciaram um novo plano para captação de novas receitas.

Então, surge os primeiros cases de patrocínios, alguns com longa duração outros nem tanto, como a parceria Manchester United x Sharp (20 anos) e o Peruggia x Pastifício Ponte, acordo mais curto, mas bem rentável para a época: 250 mil dólares.

As parcerias citadas foram boas, mas nada como Palmeiras x Parmalat. Considero o maior case de publicidade e co-gestão do futebol mundial. Digamos que, foi a combinação da fome com a vontade de comer. O Verdão vinha de uma fila de 16 anos sem título e a empresa italiana de lacticínios, tinha o interesse em expandir sua marca e seus produtos na América do Sul. Casamento firmado.

O acordo foi feito no início de 1992, na então gestão de Carlos Facchina Nunes. Não era um simples patrocínio, e sim, um trabalho de administração do clube. Despejando dinheiro na época, a empresa contratou José Carlos Brunoro (atual ''CEO'' do Verdão), advindo do vôlei, com grande sucesso na modalidade; ele era o responsável por todos os esportes do clube Alviverde.

A Parmalat não poupou esforços e investiu pesado no Verdão. Foi através da co-gestão que o Palmeiras construiu a Academia de Futebol e deu maior estrutura para os seus atletas. No início a então parceria trazida por Luiz Gonzaga Belluzzo, não era vista com bons olhos, muito por conta da empresa ter total controle sobre o clube.

Tudo era muito planejado e orçado. Presidente e diretores com cargos políticos, eram meros figurantes no Palmeiras. O Verdão não dava um passo sem o aval da Parmalat. E assim ela trouxe em oito anos, craques como Evair, Edmundo, Edilson, Roberto Carlos, Zinho, Rivaldo, Djalminha, Luizão, Muller, Cafu, Alex, Arce, Euller, entre outros jovens destaques e com mercado para vendas.

A Parmalat injetou 8 milhões de dólares (inicialmente) para montar uma verdadeira ''seleção'' no Palmeiras. O pontapé para as conquistas, começou em 1993. O Verdão venceu o Campeonato Paulista (considerado um dos maiores títulos da história do clube) e saiu da fila de 16 anos sem levantar um troféu.

Desse feito em diante, o Palmeiras dominou o cenário do futebol nacional, tendo um único hiato em 1995, quando passou em branco. Mas voltou a se recuperar em 1996, quando a parceira montou uma equipe de respeito e venceu o Campeonato Paulista daquele ano, com a histórica marca de 102 gols na competição.

O ápice da co-gestão aconteceu em 1999, quando o Verdão faturou o maior título desta parceria: a Libertadores. Em meio a uma crise da empresa e um desacerto com a direção palmeirense, então comandada por Mustafá Contursi, o encerramento da parceria aconteceu no fim do ano 2000, o acordo terminou melancolicamente com uma das derrotas mais tristes da história do Palmeiras - Palmeiras 3 x 4 Vasco, na final da Copa Mercosul.

No balanço, podemos dizer que o case foi um sucesso para ambos. A Parmalat atingiu seu objetivo de se tornar uma das empresas líderes do segmento no Brasil, e o Palmeiras foi uma verdadeira máquina de ganhar títulos.


No áudio, hino do Palmeiras, na guitarra - Marcos Kleine

Ouça a narração desta história, com Lucas Rafael Martins

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